sábado, 14 de novembro de 2015

fico

Com tinta vermelha
Um tanto gasta
Um nada perceptível
Procuro-te em letras minúsculas

Porque te escondes?
Estou na rua do costume
Entre o sim e o não 
Entre o fico e o vou

Deixo-me ficar.

Choro à noite
Choro de dia
Interiormente, apática
Só choro quando penso

As palavras vão-me escrevendo
Enquanto vou pensando em não pensar
Entretanto, vou-me deixando ficar

O que eu escrevo
É mais ou menos o que digo
Só que o que escrevo, eu penso
E o que digo é a maneira como me expresso

Se eu fizesse sentido
Gostaria de ser um pássaro
E mesmo assim ficar
Porque não faço.

Como não faço sentido
Voo e vou caindo
Nos teus braços
E vou-me deixando ficar