terça-feira, 8 de março de 2016

Interferências

Uma voz
Que me alicia
Um ruído hipnotizante
Um zumbido que me penetra o inconsciente

Oh, se todas as vozes
Pronunciassem o meu nome
Como a tua o faz
Estaria surda!

A surdez que me provoca o silêncio
É absurdamente inquietante
E eu, que me inquieto com a solidão
Prefiro que me chames.

Conduz-me
Nesta viagem para sítio algum
Aponta-me
O caminho da vontade

Eu, que nunca quis ir para sítio nenhum
Hoje, perco-me
Em busca de metade.

domingo, 6 de março de 2016

Berço

Lisboa, terás os meus pedaços
A minha alma
Espalhada
Em ti, me desfaço

Triste,
Quem não repousa em ti
As chamas de uma alma acesa

Ateia-me! Extingue-me!

E que pairem no ar as minhas cinzas!
Que respirem as minhas inquietações!
E que se engasguem.