domingo, 27 de junho de 2021

Ego

Egoísta compulsiva
Falo sempre de mim
Quando encontrarem o meu caderno sem palavras
É porque morri.

Eu?
Mas quem será esta pessoa que me atormenta?

Os fumadores fumam
Os bêbados bebem
Os pensadores pensam
E eu?
Eu sou todos ao mesmo tempo

Tudo o que bebo
Tudo o que fumo
E, mais vezes
Tudo o que penso

Queria não ser tantas coisas 
Não ser tanto eu
Queria fumar a vida
Bebê-la toda
Não ver nada
E nem pensar.

pai

Olá cabrão
Bem vindo ao teu caixão
Engole a tua covardia
E afoga-te no teu banho de mágoas.

Enquando ainda tiveres voz 
Vou-te arrancar os teus erros
Arrependimentos serão eternos
Este é o teu inferno.

Assim, talvez 
As minhas palavras
Ganhem formas anatómicas
Que te matem de susto.

E que te arranquem os olhos
Porque os olhos só deviam servir para quem quer ver
E tu, que cegaste de tanta vaidade
Morrerás a ver-me feliz.

o fim

Perto do meu fim
O que acontecerá às palavras que não foram ditas nem escritas?

Quando escrevo o meu corpo separa-se da alma
A alma foge, sem deixar rasto
Foge para longe, onde não há vida
Durante o dia aprisiono as palavras
E só as solto quando a caneta toca no papel.

Dificil é viver
Respirar, andar, falar, comer, dormir
Viver.

Dificil é viver
Bem que me podiam avisar
O quão dificil é ficar.