terça-feira, 14 de setembro de 2021

Sumos de setembro

 A dor belisca-me a epiderme

Ignoro a besta
Enquanto me esforço para me desviar da tristeza.

Já não afogo as mágoas
Agora disseco-as 
Corrijo-lhes as falhas
E livro-me delas.

Já não sou sugada pela dor
Espremo-a
Faço um sumo natural
E vou degustando com prazer o sabor da minha força.




quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Nítido

O que vêem os loucos?

De fato e gravata passam os aceites
Frenéticos, espreitam as horas
Como se soubessem o prazo da sua existência
Como se estivessem sempre atrasados para chegar a algum lugar.

De farrapos e imundo passa um mendigo
Abatido, em busca de pontas de cigarros
Como se estivesse condenado a esta rua
Como se soubesse a sina de nós todos.

São horas de ver o mundo
O tempo não deixa de existir
Não há pausas para cair


Talvez as folhas só caiam para que possamos renascer.