terça-feira, 11 de outubro de 2016

15 minutos

 Os táxis passam
Vazios, observam-me
A cidade ecoa exautão
Quando se cala.

A chuva molha-me as folhas
Passa um autocarro que não é o meu.

Faltam 2 cafés 
Para o lápis começar a escrever
15 minutos
Para o autocarro.

Já não me lembro se estas folhas são minhas
As unhas roem-me os nervos.

domingo, 3 de abril de 2016

palavras presas

Infinitas palavras, que me surgem na ponta da língua,

cada uma com o seu sabor tão característico...

As minhas papilas gustativas excitam-se ao ponto do climax

entre a saliva e as letras que se entranham nela

entre o pensamento e a expressão da mensagem através do som

o sexo não chega a acontecer.

E eu, fico calada.

Estas palavras percorrem-me o sangue em ritmo acelerado e ferem-me a pele enquanto tentam insistentemente escapar pelas veias

E eu, fico calada.

terça-feira, 8 de março de 2016

Interferências

Uma voz
Que me alicia
Um ruído hipnotizante
Um zumbido que me penetra o inconsciente

Oh, se todas as vozes
Pronunciassem o meu nome
Como a tua o faz
Estaria surda!

A surdez que me provoca o silêncio
É absurdamente inquietante
E eu, que me inquieto com a solidão
Prefiro que me chames.

Conduz-me
Nesta viagem para sítio algum
Aponta-me
O caminho da vontade

Eu, que nunca quis ir para sítio nenhum
Hoje, perco-me
Em busca de metade.

domingo, 6 de março de 2016

Berço

Lisboa, terás os meus pedaços
A minha alma
Espalhada
Em ti, me desfaço

Triste,
Quem não repousa em ti
As chamas de uma alma acesa

Ateia-me! Extingue-me!

E que pairem no ar as minhas cinzas!
Que respirem as minhas inquietações!
E que se engasguem.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

As gaivotas

Adiante,
Vejo o que me é possível imaginar
Às vezes vejo mais,
Quando imagino o impossível.

Vou imaginando gaivotas
Voando,
Em direção ao mar
O imaginado

Às vezes voam noutras direções
As tempestades levam-nas para outros mares
Os imaginados

Imagino,
O levantar, o descolar
O voo, o pousar
As asas, as penas a voar

E, enquanto descansam em terra
A imaginada
Talvez nos imaginem a nós
Voando,
Em direção ao nosso mar

O nascer, o andar
O viver, o morrer
As solas de um ser, mais desgastadas que o próprio chão

A imaginação.