domingo, 20 de fevereiro de 2022

Névoa

 Só vive de eterno ardor
O que está sempre a pensar
No que existe atrás da névoa
Por detrás da ferida por curar

O tempo só traz de volta
O que a olho nu não conseguimos avistar
Quando da memória tivemos de cortar
O veneno que estava a alastrar.

Como é negro este clarão 
Falta-me o brilho nos olhos
O falso encantamento 
De um passado inventado pela ilusão.

E foi assim que sempre fugi
Do confuso e contraditório perdão.


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