Só vive de eterno ardor
O que está sempre a pensar
No que existe atrás da névoa
Por detrás da ferida por curar
O tempo só traz de volta
O que a olho nu não conseguimos avistar
Quando da memória tivemos de cortar
O veneno que estava a alastrar.
Como é negro este clarão
Falta-me o brilho nos olhos
O falso encantamento
De um passado inventado pela ilusão.
E foi assim que sempre fugi
Do confuso e contraditório perdão.
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