domingo, 27 de março de 2022

O cancro

A morte é um tabu 
Ninguém nos ensina a lidar com ela
Todos sabemos que um dia chegará para nós   
Celebramos um novo nascimento e esquecemo-nos dos idosos
Tudo porque temos medo de envelhecer


A morte aproxima-se e toda a gente a sente
O cancro consome a pouca vida que te resta
E eu vejo-te reduzido a uma criança 
O homem da família no seu estado mais vulnerável 

Ninguém sabia muito bem o que dizer
A chuva veio para preencher o silêncio 
Nunca choro nos momentos que é suposto

Tu, que falavas muito em Jeová
Avô, o Deus a quem rezavas não existe
Tantas rezas a agradecer a comida 
Tantos pedidos de socorro
O pão que agradecias sempre veio do teu próprio esforço

No dia em que partiste
Em forma de pássaro
Apareceste na minha janela
E na Graça inteira 
Todos ouviram a canção mais bela 



 




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